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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Grupo se mobiliza para trazer ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’ para Garanhuns mesmo após cancelamento da peça pelo Governo do Estado


A retirada de O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu da programação do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) mobilizou um grupo de artistas e membros da sociedade a criar uma campanha de financiamento coletivo para levar a peça à cidade. A iniciativa lançada ontem busca arrecadar R$ 6 mil para arcar com os custos de transporte, hospedagem e alimentação da atriz Renata Carvalho, da diretora Natalia Mallo e da produtora Gabriela Gonçalves.

No monólogo, Renata conjectura como seria se Jesus voltasse à terra como uma travesti. A partir desse mote, ela busca abrir o diálogo sobre as vivências das pessoas trans e combater a exclusão social de seus corpos.

O trabalho foi retirado da programação do FIG após o prefeito Izaías Régis (PTB) afirmar, na última sexta-feira (29), que não deixaria que a obra fosse apresentada em equipamentos culturais do município. O secretário de Cultura do Estado, Marcelino Granja, rebateu e disse que o Governo não iria recuar, ressaltando que a peça seria exibida para um público adulto.

Porém, no sábado (30), Dom Paulo Jackson, bispo da Diocese de Garanhuns, lançou uma nota criticando o conteúdo do espetáculo e afirmou que “a liberdade de expressão artística não pode ferir o sentimento religioso e a identidade cristã de uma inteira população”. O religioso disse que não entraria em nenhuma frente para impedir a apresentação, mas que, caso o Estado mantivesse a peça, proibiria que a Igreja Catedral fosse utilizada no FIG (o espaço recebe concertos de música clássica durante o festival). Diante dessa ameaça, o governo recuou e cancelou o espetáculo.

Para o ator garanhuense Joesile Cordeiro, que integra o coletivo responsável pelo financiamento coletivo, a ida do trabalho para Garanhuns ganhou contornos de resistência contra qualquer tipo de censura e preconceito.

“O prefeito, em uma ação eleitoreira, pediu a retirada do espetáculo, o que reflete também uma clara transfobia. Ele e muitos dos que estão criticando nem assistiram ao espetáculo. Estão julgando o conteúdo da peça como ofensivo, quando, na verdade, é um trabalho que fala sobre amor, respeito e tolerância, valores cristãos”, pontuou.

Ele afirmou que o grupo está estudando vender ingressos a preços populares para que as artistas tenham algum tipo de cachê. “Elas estão vindo mais pela causa mesmo, para se posicionar contra a censura. Já temos algumas opções de lugares para apresentar a peça, mas só vamos divulgar no dia por questões de segurança. Ao mesmo tempo em que temos recebido muito apoio, também há um discurso de ódio muito forte”, explica.

A resposta à campanha tem sido positiva: em poucas horas no ar, a iniciativa já arrecado mais de 50% do valor proposto. As contribuições, a partir de R$ 15, podem ser feitas até o dia 10 no endereço www.catarse.me/rainhajesus.

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