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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

De vaqueiro a forrozeiro como o cantor Mano Walter virou um fenômeno na música




Em abril de 2015, uma reunião no escritório que cuida da carreira de Mano Walter, que até então cantava de forró-de-vaquejada, um estilo típico do interior do Nordeste, à la Mastruz com Leite, decidiu mudar radicalmente a carreira dele. Seu empresário, o visionário Pedro Mota, percebeu que havia uma carência no mercado do forró nacional, dominado por Wesley Safadão. Pedro entendeu que havia, na época, uma séria turbulência no poderoso Aviões do Forró e sobrava ainda um belo espaço para quem não canta apenas a "safadeza" de homem brasileiro. 

A primeira providência foi deixar a música de Mano Walter mais "jovem" e menos regional. O morador de São Paulo tinha que se identificar com a letra, da mesma maneira que quem vive em Recife. Em pouco tempo, o resultado começou a aparecer no Nordeste. "Balada do Vaqueiro" e "Playboy Fazendeiro" estouraram localmente. Só que Mano queria, de fato, se tornar nacional, mas, para isso, ainda faltava um grande hit e, acredite, mudar o visual, a começar pela bota. O modelo que ele costumava usar, com estilo bem mais tradicional, foi trocado por um mais moderno. O chapéu de vaqueiro era outra peça que precisava ser mexida, mas como retirá-lo totalmente seria algo impossível, a opção foi fazer com que Mano ficasse 80% do tempo sem ele. Grande evolução. O chapéu, além de deixar o cantor mais velho, simboliza o homem do campo, e Mano queria conquistar o país todo, não apenas o interior.



Para atingir a projeção nacional, o melhor caminho parecia a boa e velha parceria. Mano gravou, então, com Marilia Mendonça, desconhecida na época. Mesmo assim não tinha como dar errado. E não deu. "O que houve?" chegou aos quatro cantos do país, mas ainda faltava um hit, uma explosão, que caísse nas graças do povo. E ele veio. A consagração nacional de Mano veio justamente com uma música que fala que o homem do campo não deixa seus costumes e hábitos à toa. Uma música que caía como uma luva para o agrônomo Mano, que ainda tem pós-graduação em segurança do trabalho, algo raro no meio da música. 

Com a certeza de que aquela seria "a música", Pedro mandou Mano para o Rio para gravar um clipe em dois dias. No dia 30 de abril de 2017, foi lançado "Não deixo não", uma bomba atômica no mercado de forró. Em 24 horas, a música já superava um milhão de views. Pronto, era a certeza que Pedro precisava ter: "Mano, prepara que estourou", disse. Safadão, que parecia imbatível, foi superado por Mano e "Não deixo não" se tornou o clipe brasileiro mais visualizado na história do forró, com 370 milhões de views. Enfim, o Brasil sabia quem é Mano Walter.


Depois do hit nacional, era hora de reunir os amigos e gravar um DVD. O cenário foi o Credicard Hall de São Paulo, em outubro do ano passado, e Mano reuniu nada menos que Jorge, Claudia Leitte, Gustavo Mioto, Xand Avião e Maiara & Maraisa para a gravação. Do DVD, saíram dois novos hits: "Então vem cá" e "Fingindo maturidade", canções responsáveis por manter Mano o ano todo no Top 50 do Spotify, a plataforma de streaming que é, hoje, a principal referência para medir o sucesso de uma música.


Não faltava mais nada, correto? Errado! A simplicidade de Mano e sua música correta, sem deixar de lado a sua raiz do campo precisava ainda de uma consagração. Em 25 de setembro uma notícia inesperada - não pela qualidade do trabalho, mas pelo tempo de carreira - sacode as Alagoas de Mano. Ele entrou para a história como o primeiro cantor de forró a ser indicado ao Grammy Latino. E, para consagrar as realizações e o ano fantástico, com uma média de 22 shows por mês, Mano se apresenta hoje no Rio, no Espaço Hall, antigo Barra Music. É o show para ter a certeza de que Mano Walter é a prova viva de que a música brasileira nos surpreende a cada dia.

Fonte: UOL

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